segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Intervenção do FMI?

Teixeira dos Santos, o nosso ministro das finanças, abre a porta a uma intervenção do FMI em Portugal. Já falamos anteriormente sobre esta possibilidade, que vemos com bons olhos, em especial para os cidadãos mais novos, dado induzir um contributo muito favorável para o médio e longo prazos. A acontecer uma intervenção, o curto prazo seria bastante penoso, dado serem necessárias fortes medidas de ajuste da estrutura da nossa economia. Entre eles, podemos assistir a fusões de bancos, mais cortes nos salários ou na força de trabalho da administração pública, o que poderá ainda ser reflectido no tecido empresarial privado.

Parece certo que algo deverá acontecer no curto prazo. O primeiro-ministro já perdeu a força que o caracterizava e deverá estar desejoso para sair de cena. Será sempre recordado por este acontecimento, apesar de poder sempre desculpar-se pelo contexto internacional e culpando os especuladores. Ninguém nos empresta dinheiro e o risco de incumprimento do Estado está em níveis máximos e é certo que alguma coisa tem de ser feita, pois as nossas empresas privadas, muitas delas de grande qualidade e exposição internacional, não se conseguem financiar no exterior. E sem financiamento, já sabemos qual o fim que nos espera.

sábado, 13 de novembro de 2010

A Gestão do Risco

O presente artigo é destinado a expor um conceito bastante interessante que acreditamos não ser bem compreendido: a gestão do risco, numa estratégia de investimento.

Antes de mais, remetemo-lo para a definição de risco já referida noutro artigo. Risco é incerteza, algo que não é mau, por si. Representa um perigo, mas ao mesmo tempo uma oportunidade.

Consideramos que este conceito não é muito compreendido, pois acreditamos que a preocupação dos investidores portugueses tem sido a minimização ou mitigação dos riscos, ao invés da sua gestão. Ou seja, somos da opinião que uma correcta estratégia de investimento de deve focar na estruturação de uma carteira que seja diversificada e enquadrada no perfil de risco do investidor.

E como diversificação, não queremos dizer a compra de vários investimentos com o mesmo nome mas cujas variáveis que os determinam e condicionam são as mesmas. Ou seja, para uma correcta diversificação de investimento, teremos de recorrer a activos que sejam descorrelacionados. O mesmo quer dizer que tenderão a andar em sentidos contrários, em resposta a um mesmo acontecimento. Aliás, a diversificação torna possível trabalhar o risco a nosso favor.

Por outro lado, sentimos que a preocupação das pessoas tem sido a minimização dos riscos. E sabemos que isto é um perigo pois como referimos anteriormente, um risco é um perigo mas ao mesmo tempo uma oportunidade. E sendo uma oportunidade, se não estivermos expostos ao risco, não podemos explorá-la. É simples e intuitivo... mas é algo esquecido.

Como conclusão, sugerimos que pense bem nestes dois conceitos e que se lembre que o mundo apenas evoluiu porque houve pessoas dispostas a arriscar e a ir contra as crenças instituídas na época. O risco é essencial para o progresso, pelo que não o minimize. Gira-o.

Os Mercados Offshore e os Paraísos Fiscais

Antes de mais pedimos desculpa pela ausência de artigos, na última semana. Na realidade, temos estado focados na edição do nosso livro de Finanças Pessoais, que tem de estar concluído até ao final deste mês. Deste modo, o tempo não abunda...

Deixando as desculpas para trás, queremos apenas fazer uma distinção clara entre os mercados offshore e os paraísos fiscais, pois consideramos que existe uma confusão bastante grande neste contexto.

Na sua génese, o mercado offshore designa-se de Euro Mercado. Na prática, é um mercado composto por operadores estabelecidos num pais, mas que operam numa moeda diferente daquela desse país. Ou seja, captam empréstimos em moeda estrangeira e cedem créditos, também eles em moeda estrangeira. A criação deste mercado foi essencial no processo de globalização e contribuiu, em muito, para a redução dos custos de financiamento dos vários agentes económicos, dada o reduzido comissionamento e a concorrência quase perfeita destes mercados.

Por seu turno, um paraíso fiscal é um país com um quadro fiscal mais vantajoso do que o normal, sendo utilizado pelas empresas para reduzir o nível de impostos a que estão sujeitos.

Uma última questão, que exporemos sem tomar qualquer partido. Será que faz sentido criticar os paraísos fiscais? Ou será que é obrigação de todos os agentes económicos a maximização do valor dos seus investimentos, recorrendo aos mecanismos LEGAIS que têm ao seu dispor?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Saco Cheio

Estava hoje a falar com um amigo que me disse uma frase que gostei bastante, e gostaria de partilhar convosco:

"Se esperas receber muito, levas um saco grande. Se levas um saco pequeno, é porque contas receber pouco".

Lembrei-me de partilhar esta frase pois acho bastante reveladora do que se está a passar com o país em geral, e com os portugueses em Particular.

Na realidade, considero isto um alerta e um conselho bastante válido. Alerta-nos para a necessidade de ter horizontes alargados e ser ambiciosos. Aconselha-nos a procurar ir mais além, em perspectivar as coisas em grande, procurando sair da unanimidade e do status quo actual.

E porque é tudo isto relevante? Acredito que para atingirmos objectivos pessoais, temos de ter uma noção de quais são esses objectivos. Aliás, para irmos a algum lado, temos de saber para onde queremos ir. E nas finanças pessoais, torna-se essencial saber onde queremos ir, para focar as nossas atenções e esforços nesses objectivos... e é quando perspectivamos esses objectivos que devemos ser ambiciosos, pois o esforço que empregarmos para os atingir irá levar-nos mais longe.

Fica a reflexão

domingo, 7 de novembro de 2010

Taxa de Utilização do Sub-solo

Um artigo rápido que surge de algo cómico mas ao mesmo tempo preocupante e escandaloso. Então não é que a nossa Câmara Municipal de Lisboa (não sei como é nas outras cidades) se lembrou de criar uma taxa de utilização de sub-solo, a ser paga por todos os clientes da rede de gás (ou seja, todos nós). Ou seja, o solo que é nosso, que nascemos em Portugal, tem agora de ser remunerado a uma empresa que está a comercializar o gás.

Vamos por parte. Quando compramos um café, estamos a remunerar o dono do café pelo serviço que nos presta. Por seu turno, o preço que pagamos inclui não só o lucro do dono do café, mas também todos os custos do serviço, como a mão-de-obra, o custo da limpeza das chávenas, o custo do café. Porque raio é que, com o gás e outros serviços públicos temos de ser sobre carregados com taxas e afins que mais não são do que a procura de pretextos para pagar mais impostos. Ou seja, o preço que pagamos pelo gás não inclui todos os custos do serviço. É isso? Ou estaremos a ser assaltados, mais uma vez?

Podemos aplicar a mesma lógica à taxa de Audiovisual que todos pagamos na conta da electricidade. Ou seja, temos de pagar pela RTP e afins, mesmo que não a vejamos. E para quê? Para termos um péssimo serviço público? E o pior é que o Estado se lembrou de nos aumentar esta taxa, creio que em 30%, pois definiu como medida de austeridade cortar com as transferências para a RTP. Uau... que grande progresso e esforço do Estado. Mas o Estado somos todos nós. Estão a tirar de um lado (mais uma vez, dos nossos bolsos) para reduzir o défice... mais impostos/roubo encapuçado...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sessão Reforma - Ideias Básicas I

Infelizmente, temos sido constantemente recordados dos problemas inerentes ao sistema social na Europa, tudo apontando para que as reformas terão de cair de forma significativa e para que as pessoas tenham de permanente na vida activa por mais anos do que anteriormente esperavam. Antes de mais, queremos deixar claro que este facto se deveu a dois factores:

1. Aumento da esperança média de vida das populações, algo bastante positivo;

2. Alguns erros na gestão por parte do Governo, sendo de destacar os disparates observados em termos de reformas antecipadas e pré-reformas.

Com base nestas premissas, torna-se claro que os cidadãos são agora forçados a tomar as rédeas da sua vida, nomeadamente no que ao investimento diz respeito, numa altura em que a maioria das pessoas não tem nem conhecimentos nem vontade de o fazer. Quem já nos acompanha há algum tempo, saberá do nosso projecto de formação, cujos cursos poderá consultar aqui.

Assim sendo, deixamos algumas referência que consideramos úteis:

DETERMINAR AS NECESSIDADES FUTURAS:

De modo a melhor planear a sua reforma, deverá ser capaz de estimar hoje um determinado nível de vida futuro, sendo este exercício fundamental para saber quanto terá de poupar, todos os anos, para atingir esse objectivo. Neste aspecto, haverá a considerar a existência da inflação e dos juros compostos, que em muito o ajudarão no seu caminho:

• No caso da inflação, ao baixar o valor dos seus empréstimos e em aumentar as suas receitas.

• No caso dos juros compostos, pelo impacto positivo que têm na geração de juros futuros. Como sabe, nesta modalidade, os juros que recebe irão, também eles, gerar novos juros. É o extraordinário impacto do dinheiro a trabalhar para nós…

Na determinação das suas necessidades futuras, existirão algumas variáveis a considerar, como sendo o rendimento mensal que quererá auferir, a idade desejada para a reforma e o tempo que espera possa vir a durar a sua reforma. Com base nesta definição, deverá planear/prever:

Taxa de retorno dos seus activos:

É impossível prever as taxas que os seus investimentos irão auferir, ao longo de toda a vida do seu plano. Adicionalmente, e mais grave, pode acontecer algum factor pouco provável (como a crise actual e o seu forte impacto em termos de retornos de activos) que possa colocar em perigo os seus objectivos.

Tem algumas soluções, como sendo o recurso a planos de reforma com taxas garantidas ou compra de obrigações com determinada taxa de cupão (mantendo-as até à maturidade). Contudo, admitimos que as soluções disponíveis passam sempre por pesar riscos e retornos esperados, algo que não está no âmbito deste artigo, mas certamente que escreveremos algo sobre isso em breve.

Inflação:

Não sabemos que cabaz de produtos conseguiremos comprar com o nosso dinheiro, daqui a vinte ou trinta anos. É o impacto da variação do nível de preços. Certamente que o seu dinheiro irá perder valor, embora seja expectável que o seu rendimento também sofra ajuste mais ou menos com a inflação por baixo. Adicionalmente, e como referido, a inflação tem um impacto positivo ao nível do valor do endividamento. Sugerimos que, na sua análise, considere uma taxa de inflação de 2-2.5% ao ano, pois este é o objectivo do Banco Central Europeu e irá ditar as suas políticas económicas e monetárias.

AUTOMATIZE AS TRANSFERÊNCIAS PARA UMA CONTA SEPARADA:

Como sabemos, o facto de termos dinheiro parado na nossa conta tende a aumentar o nosso desejo consumista, na medida em que nos sentimos mais desafogados ou despreocupados. Neste sentido, encontramos sempre destinos a dar ao dinheiro. Assim, a nossa sugestão pela programação de transferências automáticas para uma conta de poupança, a efectuar no dia em que recebe o seu salário. Deste modo, o dinheiro não fica disponível na conta e nem dá pela sua falta.

EXIGÊNCIA E PERSISTÊNCIA:

Sendo o assunto a sua reforma e a sua qualidade de vida nessa altura, sugerimos que paute a sua actuação sempre por um elevado nível de exigência. Existem factores, no processo de investimento, que controla, pelo que aconselhamos que se foque nesses factores, e seja exigente. Assim, sugerimos:

Aumento da poupança mensal – sempre que possível, faça reforços pontuais na sua poupança, nunca se esquecendo que pode substituir parte das suas despesas por poupança;

Procura de produtos mais eficientes – nunca descanse na procura por produtos mais eficientes para a sua poupança, tanto em termos de risco, retorno ou comissionamento. Podem existir benefícios fiscais em determinado produto, benefícios de transferência de planos poupança reforma, ou simplesmente gestores com maior qualidade.

Finalmente, sendo a reforma um acontecimento distante no tempo, tendemos a descuidar-nos ou a desistir, pois o resultado do nosso esforço não é verificável ou vivido no curto prazo. Contudo, sabemos que uma política de reforço de poupança consistente no tempo é algo essencial para aumentar a probabilidade do sucesso da sua estratégia, traduzido em retornos mais atractivos e menos dependentes do contexto do mercado/economia.

Tendo feito os diagnósticos e apresentado algumas sugestões, pedimos que aguarde por amanhã pelas nossas sugestões de actuação. Entretanto, poderá ir explorando as nossas ferramentas, disponíveis aqui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Que Assuntos Gostaria de Ver Tratados?

Lançamos aqui um desafio. Gostaríamos de saber quais os assuntos que os nossos leitores gostariam de ver tratados. Neste sentido, sugerimos que nos enviem um e-mail para palaestraformadores@gmail.com ou simplesmente deixem aqui um comentário. Certamente que teremos todo o gosto de endereçar as vossas preocupações e sugestões.