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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

The Little Book Of Behavioral Investing

O livro que hoje recomendamos é um extraordinário compêndio sobre Finanças Comportamentais, cujo objectivo explicito é contribuir para que o leitor obtenha ferramentas para não se tornar o seu pior inimigo.

Escrito por James Montier, um dos grandes estratégias dos mercados financeiros contemporâneos, professor universitário em algumas das mais reputadas universidades do mundo e autor consagrado no campo das Finanças Comportamentais.

No decurso do seu livro, refere vários erros comuns, cometidos pelos investidores, provocados por uma má gestão da sua emoção/comportamento. No entanto, não procura apenas ser um instrumento de diagnóstico, mas também apresentar estratégias para desenhar o seu processo de decisão de investimento. Aliás, é da opinião que o processo é muito mais importante que o resultado, pois um processo sólido e coerente, adequado com o seu perfil de risco, aumentará em muito a probabilidade de sucesso consistente ao longo dos anos. Contrariamente, um foco exclusivo no resultado poderá originar más experiências, pois deixa o investidor muito dependente da sorte e de acontecimentos fortuitos.

O grande valor acrescentado das estratégias propostas consiste do facto de serem resultado de evidência empírica, análise de comportamento dos mais conceituados investidores (que o autor conhece pessoalmente) e de inúmeros estudos académicos interessantíssimos (aliás, refere-os todos, pelo que o livro se transforma numa óptima base de dados de estudos, para quem deseje aprofundar esta temática).

A importância da preparação, planeamento e construção de uma estratégia é profundamente analisada. Critica o papel das previsões e trabalho de analistas de mercado, procurando defender que devemos investir sem ter a pretensão de adivinhar a evolução dos mercados e da economia.

Finalmente, podemos concluir que a principal preocupação deste livro é libertar o investidor, possibilitando que se foque na análise independente e racional, o que resultará na procura pelo real valor dos activos, algo mais fácil (mas também muito subjectivo) do que determinar retornos, dado serem dependentes das dinâmicas e emoção do mercado.

Como terá reparado, temos escrito alguns artigos (e iremos continuar a fazê-lo) sobre Finanças Comportamentais com o apoio deste livro, que conhecemos há relativamente pouco tempo e cuja leitura recomendamos vivamente.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Técnicas para Racionalizar as suas Decisões

Cientes dos impactos da emoção em qualquer tomada de decisão, o que podemos fazer de modo a mitigá-los?

Os autores de Finanças Comportamentais apresentam várias estratégias possíveis, sendo nossa função referi-las, tarefa que desenvolveremos com o tempo. Por ora, salientaremos dois comportamentos fundamentais:

   1.   Imposição de limites e prazos:

Como é sabido, o ser humano tem a tendência para se achar auto-suficiente e opta, variadas vezes, por contar apenas com boas intenções e com a força de vontade. Contudo, como calculamos, tais intenções não passam apenas disso, facto que acaba por dar mau resultado. Assim, o que é sugerido é a imposição de limites de actuação e prazos, de modo a evitar que adiemos análises e estudos, evitar que os processos de arrastem e acabem por "morrer na praia".

   2.   Preparação e estudo de cenários e formas de actuação:

Facilmente percebemos esta estratégia. Na realidade, os portugueses são conhecidos pela sua tendência para o improviso, algo que por vezes acaba por dar resultado. No entanto, a experiência diz-nos quenão devemos apenas contar com o acaso e com a sorte, quando falamos de temáticas tão importantes e complexas. A proposta passa por saber preparar uma decisão, através de análises racionais, em periodos de pouco stress e muita calma. Deste modo, as decisões assumem-se como mais racionais.

Nesta estratégia importa ainda referir que, nestes momentos de calma, deveremos determinar modos de actuação em determinados momentos. Ou seja, definir à partida o que fazer, caso se realizem determinas permissas ou acontecimentos. Por exemplo, o que fazer em resposta a uma crise financeira, ou como actuar em situações de desemprego. Pela positiva, estratégias de actuação em cenários de maior crescimento económico ou euforia de mercado.

Concluindo, todas as estratégias de actuação neste campo deverão ser orientadas para reduzir o stress associado ao processo de tomada de decisão, cientes de que o stress é mau conselheiro e indutor de erros. A sua principal prioridade, deste modo, será a construção de um processo de decisão estruturado e adequado ao seu perfil de risco.

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domingo, 15 de agosto de 2010

Emoção nos investimentos

James Montier, no seu livro "The little book of behavioral investing", refere cinco condições que aumentam a probabilidade de uma decisão emocional, em contraponto a uma decisão mais racional. São elas:
A
  • Problema mal estruturado e complexo;
  • Informação incompleta ou ambígua;
  • Objectivos mal definidos ou mutantes;
  • Elevado stress envolvido;
  • Decisões dependentes de interacções com terceiros.
A
Como certamente reparou, existe uma grande probabilidade de qualquer das nossas decisões cair numa destas cinco categorias. Assim, caso disponha de uma inteligência normal/mediana, "apenas" terá de saber controlar as suas emoções, de modo a racionalizar a tomada de decisões, algo que aumentará em muito a sua eficiência e eficácia. Na realidade, este é um passo fundamental para que possa ter sucesso financeiro, visto que o tópico dinheiro envolve uma componente emocional muito intensa.
A
Queremos deixar uma última reflexão, transmitida também por inúmeros investidores de sucesso:
A
"A época de máximo pessimismo é a época adequada para investir. A altura de maior optimismo representa o melhor momento para desinvestir".
A
Esta máxima é válida pois o ser humano tende a exagerar a reacção a acontecimentos em períodos extremos de sentimento (optimismo ou pessimismo). Isto leva a uma clara separação entre o preço dos activos e o seu valor real. Desenvolveremos posteriormente a distinção entre estas duas grandezas.
A

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Finanças Comportamentais

domingo, 1 de agosto de 2010

Finanças Comportamentais

Iniciamos com este post a colecção de artigos na temática de Finanças Comportamentais. Não somos nenhuns peritos nestes assuntos, embora bastante interessados, dada a sua crescente aceitação como mecanismo indispensável de melhoria das decisões financeiras. Sendo a nossa especialidade os investimentos, acreditamos que é fundamental alertar para a importância desta temática.

Como referido, as finanças comportamentais têm ganho um número crescente de adeptos, correndo o risco de ser considerado um tema da moda, pelo que facilmente esquecido. Contudo, a lógica para a sua crescente aceitação prende-se com o facto do comportamento humano seguir determinados patrões. Muitas vezes somos irracionais, mas o mais interessante é que somos previsivelmente irracionais. Cometemos os mesmos erros de forma consistente no tempo. Daí que a tentativa de nos conhecermos enquanto pessoas e enquanto investidores, de percebermos como tomados decisões e os erros que cometemos nesse processo, permitir-nos-á criar um processo sistemático para a tomada de decisões, correcto e consistente no tempo.

Benjamin Graham, aquele que é considerado o “pai” do investimento em valor disse certo dia que “provavelmente um dos maiores inimigos do investidor é próprio”. Esta afirmação pode ser sustentada ao considerarmos os dois sistemas em operação no nosso cérebro: o sistema emocional e o sistema racional.

O sistema emocional consiste na abordagem da emoção ao processo de tomada de decisão. Na realidade, é o primeiro sistema a entrar em funcionamento, sendo toda a informação filtrada por ele antes de ser processada pela razão. Assim sendo, os inputs do sistema terão de ser pouco complexos, sendo de destacar a familiariedade e a semelhança. No entanto, a sua simplicidade permite o tratamento de uma grande quantidade de informação, embora as suas respostas apenas estejam aproximadamente correctas.

Por outro lado, o sistema racional envolve um processo mais lógico e dedutivo de tratamento da informação. Naturalmente que, dada a sua complexidade, o sistema racional consegue solucionar menos problemas e tratar menos informação em simultâneo. Contudo, os resultados tendem a ser melhor trabalhados e mais precisos.

Finalmente, estudos realizados por neurocientistas demonstram que as partes do cérebro associadas ao sistema emocional são muito mais velhas (em termos de evolução) que as partes associadas ao sistema racional. Quer isto dizer que o ser humano desenvolveu primeiro a necessidade de emoção, tendo depois evoluido para a procura pela razão e lógica das coisas.

Onde queremos chegar com tudo isto?

Nesta altura, queremos apenas salientar a importância de percebermos, não só a existência destes dois sistemas, mas também da sua importância enquanto influência clara no processo de tomada de decisão. Futuramente, procuraremos expor alguns erros comummente cometidos pelos investidores, muitos deles profissionais, retirando daí algumas conclusões. No entanto, por agora, ainda estamos a lançar as bases do trabalho que procuraremos desenvolver consigo.

Nota: Esta exposição foi elaborada com o apoio do livro “The little book of behavioral investing” cuja leitura recomendamos vivamente.