sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Artigo de Opinião - Leonete Botelho

Antes de mais nada é importante salientar que este comentário é desvinculado de qualquer enviesamento partidário, apenas pretende pedir seriedade e coerência a quem têm nas suas mãos a responsabilidade de informar de forma séria a sociedade civil ( a qual está desiludida e que entrou num longo período de hibernação).

A jornalista Leonete Botelho refere num artigo de opinião que na semana passada foram conseguidos diversos feitos (ao longo da última semana) que “deram um novo fôlego” ao primeiro-ministro (PM), vamos então analisar as razões apontadas pela “jornalista” e o motivo da nossa indignação:

1- “graças aos resultados surpreendentes da evolução da economia”

Basta recordar que a taxa de desemprego actual é: 10,9%, ou seja superior a 600 mil pessoas
Taxa de desemprego dos jovens (15-34anos): 15,5%
Sensivelmente 44% da população vive abaixo do nível de pobreza caso não existam apoios sociais, considerando estas ajudas o valor decresce para 22% ( o que não deixa de ser alarmante)

2- “ligeiro arrefecimento da temperatura financeira”: Recordo que os juros da dívida pública continuam perto dos 7% e todos se questionam se o FMI vai realmente ter que entrar em Portugal…

3- “sucesso diplomático e mediático” e onde “apareceu ao lado dos mais influentes Chefes de Estados” em relação à cimeira da Nato.

Não há margem de dúvida que a cimeira correu bem mas isso em nada eleva ou diminui o desempenho do PM.

Em termos logísticos de organização, as coisas correram bem, sem sobressaltos (mérito a todos aqueles que cooperaram nesse sentido). Em termos diplomáticos houve consenso. Mas se por alguma razão existisse menos consenso em questões da NATO, não poderíamos obviamente responsabilizar o PM pelo menor sucesso do evento, como tal o sucesso não lhe poderá igualmente ser conferido.

Esta valorização além de ser descabida é, ainda, de alguma forma ultrajante para todo o corpo diplomático e a população de uma forma geral (policias, SEF, elementos da organização também velaram pelo sucesso da organização, etc…)

4- “suficientemente revigorado para aguentar sem a necessidade de fazer qualquer remodelação”, afirmação esta que dista menos de uma semana após as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros ( e o segundo na hierarquia do Governo), nas quais demonstrou “cansaço” e disponibilidade para sair…Abrindo ainda a porta a um entendimento entre partidos para um governo de coligação.

O Ministro das Obras Públicas mostrou nessa mesma semana um total alheamento ao acordo que permitiu a aprovação do OE e desconsideração ao descontrolo das contas públicas, isto porque mantém a vontade de contruir o TGV, a nova ponte….

Já para não salientar no “pequeno lapso” de Teixeira dos Santos em termos do défice antes das eleições…

De forma a manter a nossa imparcialidade, destacamos que a “jornalista” refere alguns pontos que são verdadeiros:

1- “O PM raramente fez remodelações” (Nomeadamente quando o seu ministro das finanças se enganou em relação ao défice)

2- “…economia içada pelo aumento das exportações”.
Como refere o economista João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, “ o bom comportamento das exportações está a ser feito, sobretudo, à custa "da capacidade instalada das empresas". Ou seja, é às empresas que deve ser entregue o mérito porque num quadro de contracção da procura interna, menor liquidez para investimentos (o que determina um elevado custo de recurso à banca), maior dificuldades de cobrança,etc…. é , sem dúvida, com muito suor e “engenho”que se consegue aumentar as exportações…

domingo, 21 de novembro de 2010

Sessão Reforma - Ideias Básicas II

Com algum atraso, retomamos o tema dedicado à reforma, intitulado de "Sessão Reforma - Ideias Básicas I", expomos de seguida algumas sugestões de actuação:

1 - O primeiro passo, antes de começar, será equilibrar as suas finanças pessoais. Fazer um orçamento é essencial, pois irá possibilitar equilibrar as receitas e as despesas, de modo a evitar cair em endividamento ou, por outro lado, a poder dedicar algum rendimento a poupança ou investimento.
2 - De modo a constituir uma poupança, deverá procurar "Pagar Primeiro a Si Próprio", através de uma transferência bancária automática para uma conta específica, a acontecer sempre que recebe o seu rendimento mensal. Deste modo, terá garantida uma poupança, todos os meses.

3 - Acabar progressivamente com o endividamento, sendo a prioridade acabar com as dívidas dos cartões de crédito, pois são as mais onerosas.

4 - Iniciar uma estratégia de investimento, com horizonte temporal mais alargado, destinado a acumular para a reforma. Neste contexto, não esquecer que terá de ter um fundo destinado a algumas situações de emergência. Contudo, este artigo é apenas dedicado à reforma.

4.1 - O tipo de investimento deverá ser enquadrado com a sua idade e consequentemente prazo para a reforma. Disso depende o montante a poupar e o risco que poderá incorrer.
4.2 - Deve constituir uma poupança também com recurso a um activo sem risco, algo essencial para maximizar a relação risco/retorno. Isto é o que nos diz a teoria financeira.
4.3 - De seguida, procurar fundos de investimento em obrigações, evoluindo depois para acções. Se os montantes o justificarem, opte por ETFs, pois são mais eficientes em termos de comissionamento e os retornos são muito mais interessantes. Sendo jovem, deve apostar mais em acções. Contudo, vá constituindo a carteira aos poucos, com reforços pontuais, mas constantes. Não se atire logo de cabeça, pois pode ser o suficiente para "partir a espinha" se errar no momento do mercado.

5 - Se tiver um crédito habitação, não se preocupe em amortiza-lo. A taxa de juro/spread são tão baixos que mais vale investir a amortizar a dívida. Contudo, poderá sempre procurar renegociar o spread, pois pode haver aqui alguma poupança a realizar.

 
6 – Procure ver se faz sentido fazer uma consolidação de créditos (iremos falar posteriormente) pois, contrariamente ao que alguns “especialistas” referem, é uma óptima estratégia de controlo e corte de custos. Com disciplina irá ter uma poupança expressiva.

7 – Reveja os seguros que têm e negoceie. Procure alternativas. As companhias de seguros entram em concorrência umas com as outras e o mais certo é melhorar o produto que tem e cortar custos, em especial no carro.

sábado, 20 de novembro de 2010

Os Dividendos da Portugal Telecom

Com algum espanto tenho lido na imprensa a indignação de alguns deputados e outros relativamente à possibilidade e interesse da PT em antecipar (dizem) o pagamento de dividendos, de modo a evitar a tributação dos dividendos a uma taxa superior.

Neste contexto, importa salientar aqui algumas questões de alguma importância e que alguns optam por esquecer:

1 – É dever da administração da PT maximizar o valor para os seus accionistas. Se tal passa por estas medidas, estão a fazer o seu papel;

2 – É dever de qualquer agente económico tentar encontrar as melhores alternativas para a sua vida, quer seja em termos de investimentos, com nas outras questões mais comezinhas como a educação, a saúde ou o divertimento.

3 – De acordo com toda a legalidade, esta procura dos agentes económicos é legítima e deve ser reforçada;

4 – Percebo a indignação de algumas pessoas. Contudo, esquecem-se de alguns factores, como sendo: (1) não se deve estar sempre e constantemente a atacar os detentores de capital, pois o capital é móvel e facilmente irá para outras paragens (2) a existência de um mercado aberto tem destas coisas. Não podemos apenas procurar as vantagens. Diferenças de tributação criam diferenças de competitividade entre empresas, facto que se tem visto na fraca competitividade das empresas portugueses no estrangeiro (certamente tem muitas outras explicações, mas esta é uma).

5 – Não oiço ninguém a criticar os portugueses que vão abastecer e vão as compras a Espanha, para aproveitar diferenças de taxas de IVA. Também não ouvi ninguém a criticar os cidadãos que compraram automóveis em Dezembro de 2009, pois deste modo aproveitavam o programa de incentivo ao abate de viaturas, incentivo esse com qualidade ou racional muito duvidoso.

Acho extraordinário como é que um se está sempre a atacar as nossas empresas de sucesso, simplesmente porque têm sucesso. Esta é uma atitude claramente portuguesa. Procuramos criticar quem tem sucesso, ao invés de procurarmos melhorar a nossa situação individual. Acho fenomenal como é que se critica a PT por não querer pagar impostos, num país que tem mostrou nos últimos 20-30 anos uma postura completamente irresponsável em termos de despesas e endividamento. Claro que a PT (e eu e todos nós) não queremos pagar a factura dos disparates que têm sido feitos. Ninguém quer pagar a factura. Nem os funcionários públicos que tiveram cortes salariais, nem todos nós que tivemos cortes dos apoios sociais como o abono de família. E muito menos uma empresa que existe para gerar lucros, que paga uma infinidade de impostos, cria emprego e riqueza.

A minha conclusão é: temos de fomentar uma postura de exigência que tem de se basear na exaltação do sucesso, e não pelo seu combate cego e indiscriminado, em nome da busca inconsciente e irresponsável de uma igualdade utópica e injusta.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Guerra de Depósitos

Já aqui falamos sobre a subida do risco soberano dos chamados PIGS. Ou seja, Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Já vimos que os investidores estão a exigir mais retorno para emprestar dinheiro aos países e empresas destes países. Assim sendo, porque haveriam os investidores particulares portugueses exigir menos do que é justificado?

Na realidade, vemos que as empresas portuguesas, em especial os bancos, têm mais dificuldade em financiar-se. Deste modo, estão na disposição de oferecer mais pelos seus depósitos a prazo. Como o problema em Portugal não se irá resolver tão cedo, sendo que a tendência será para o Banco Central Europeu e para os nossos parceiros do Euro (em especial Alemanha e França) forçarem os bancos a procurar novas formas de se financiar.

Conclusão, os bancos estão a virar a sua força comercial para os depósitos a prazo. Aproveite a boleia e faça depósitos com prazos mais curtos de modo a aproveitar as referidas subidas, até que esteja satisfeito com as taxas oferecidas. Facilmente poderá obter taxas de 5.5% a 6% (lembro-me de ter feito um depósito no Banif há 1-2 anos por 6%, Certo que a EURIBOR estava a 4%, mas o risco do país estava a 1/4).

Boas poupanças 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PF na IMPRENSA

Novidade:

Passamos a incluir nos menus uma área reservada a expor as nossas contribuições na imprensa, após o inicio de algumas parcerias com Jornais locais e Jornais on-line. A ideia será lançar as bases para uma cada vez maior democratização da formação e informação de qualidade nos temas de finanças pessoais.

O que é o Quantitative Easing?

Um video em Inglês, feito por uma cadeia de televisão, a explicar o que é o Quantitative Easing, que em português e sem grandes explicações é uma das formas de os Bancos Centrais (neste caso a Reserva Federal dos EUA) intervirem nos mercados, injectando liquidez. Deste modo, torna possível estimular a economia, ao haver maior disponibilidade de fundos.

Vale a pena ver...


http://globaleconomicanalysis.blogspot.com/2010/11/qe-explained.html

Malditos Especuladores

Gostaríamos de deixar algumas notas tendo por base um artigo publicado por Miguel Sousa Tavares na sua coluna do Expresso, colunista que seguimos com alguma atenção:

É evidente que os celebérrimos 'mercados' são apenas um bando de abutres especuladores, contra o euro ou contra países vulneráveis escolhidos a dedo, que tiram todo o partido que podem da situação. É evidente que, quando tudo isto estiver resolvido, de uma forma ou de outra, o mundo vai ter de encontrar medidas para pôr termo a esse poder sinistro dos especuladores financeiros (que nos lançaram na crise e se aproveitam dela), que roubam o trabalho das pessoas, a poupança das famílias, a riqueza das nações. Ou o fará ou o capitalismo - tal como o conhecemos, fundado nas leis de 'verdade' do mercado - tem os dias contados.
Em primeiro lugar, salientar a definição de Especulador. Na realidade, existe alguma confusão relativamente a este conceito. Um especulador, na sua génese, é um investidor que compra um activo na esperança que este venha a valorizar. Como somos todos pessoas racionais, queremos comprar algo para ganhar dinheiro, e não para perder.

Em segundo lugar, interessa que nos detenhamos um pouco na função dos mercados. Os mercados existem para fazer o encontro das necessidades de financiamento (pelos credores) com as necessidades de investimento (pelos investidores). Em qualquer processo de crédito e investimento, as duas partes têm de avaliar algumas variáveis. O credor tem de avaliar o custo do capital, o que irá definir um patamar máximo para a taxa de juro que está disposto a pagar num crédito. O investidor tem de avaliar o risco que pretende incorrer e a remuneração que exige.

Em terceiro lugar, os mercados encontraram recentemente um instrumento de protecção para o incumprimento de crédito. Quer isto dizer que foram criados seguros para que os investidores se protejam de eventuais falhas no pagamento por parte dos credores. O facto de os mercados estarem num tumulto, actualmente, deve-se à deterioração excessiva das métricas e da qualidade de crédito dos governos. Ora, fará sentido culpar os mercados pelo descontrolo ao nível das finanças públicas dos governos? Isto não será o mesmo que culpar o polícia por não apanhar o ladrão?

É certo que poderiam ser criadas algumas regras para melhor proteger ambas as partes. Contudo, é certo que tem de existir maior controlo sobre a classe política de modo a que seja forçada a tomar as decisões que melhor se enquadrem com as necessidades da estabilidade e sucesso do país.

Finalmente, acusa os especuladores por roubarem o trabalho, a poupança e a riqueza das nações. Mas na realidade, quando subscrevemos produtos de investimento, estamos todos a fazer parte dos mercados. Quando queremos que um investimento seja mais lucrativo, estamos a tornar-nos especuladores. Quando exigimos reformas a 100% na altura da reforma, estamos a recorrer aos mercados para que nos garantam as reformas. Ou seja, todos nós ganhamos ou perdemos, directa ou indirectamente com esta postura dos mercados. Todos somos actores. O problema é que, mais uma vez, quando ganhamos somos uns heróis e quando perdemos a culpa é dos especuladores e dos outros.

Uma última nota. No seu artigo MST fala que as crises são épocas de oportunidades e que nos compete a nós saber aproveita-las. Não podíamos estar mais de acordo.